Dieta para síndrome do intestino irritável

A síndrome do intestino irritável é uma disfunção intestinal funcional. A endoscopia ou colonoscopia pode não indicar essa síndrome, mas ela tem sintomas clínicos, como quando o paciente começa a se queixar de distensão abdominal e flatulência, acompanhada de dores, são algumas das características da síndrome do intestino irritável.

O que causa a síndrome?

A causa é multifatorial, então não tem uma razão única, fala-se muito sobre uma hipersensibilidade visceral, sobre uma inflamação de baixa intensidade, uma ativação do sistema imunológico e uma permeabilidade intestinal. A questão da inflamação de baixa intensidade tem ligação com muitos casos de pacientes com a síndrome do intestino irritável, que surgiu após uma gastroenterite muito grave.

É importante ressaltar que essa síndrome tem uma grande relação com ansiedade e estresse e de forma bidirecional, ou seja, a ansiedade e estresse interfere no funcionamento intestinal, então altera essa motilidade intestinal.  É necessário que o paciente trate a ansiedade e estresse para que haja a melhoria desses sintomas clínicos. Por isso que o tratamento do intestino irritável além da dieta, exige também um acompanhamento com terapeuta, a terapia cognitiva comportamental é de extrema importância nesses casos, sendo bidirecional, porque quando o paciente está estressado a motilidade intestinal se altera e a  motilidade intestinal alterada, por exemplo, a pessoa esteja com diarreia ou constipação, acaba resultando em mais ansiedade e estresse.

O diagnostico nesse paciente, além dessas queixas que ele vai trazer, os sintomas são diagnosticados por um médico, mas os nutricionistas precisam saber como funciona também, então é assim que é feito o diagnóstico com os critérios de Roma, e esses critérios funcionam da seguinte forma: Tem que ter um relato de dor abdominal, pelo menos uma vez por semana, nos últimos três meses. Antes que ocorra o diagnóstico da síndrome do intestino irritável, é preciso estar alerta as bandeiras vermelhas, que são outras doenças que carregam a mesma sintomatologia.

O papel do nutricionista diante dessa situação é muito importante, porque o tratamento desses pacientes tem ligação direta com uma alimentação modificada.

Dieta adequada

A dieta adequada para o tratamento da síndrome do intestino irritável é uma dieta com baixo teor de FODMAP que é um acrônimo em inglês que vem de fermentável, oligossacarídeos, monossacarídeos, dissacarídeos e polissacarídeos.

Por que essa dieta?

Os carboidratos de cadeia curta são de difícil digestão e são altamente fermentáveis e alimentos de difíceis digestão acabam puxando água para o intestino por osmose e termina causando uma distensão. Aos que não tem a síndrome, isso não é um problema, mas para as pessoas que tem a síndrome no intestino irritável, como existe uma sensibilidade, essa expansão do volume intestinal gera dor e essa fermentação que sofre a nível de intestino grosso, acaba gerando flatulência e é uma queixa recorrente. Por isso a importância de retirar esses oligossacarídeos, polióis, dissacarídeos e monossacarídeos, para melhorar os sintomas e só então depois reintroduzir.

Monossacarídeos: Frutose, não é necessário eliminar todas a frutas da dieta, como por exemplo a banana, dependendo da banana não precisa retirar, a banana só não pode ser muito madura, como quando está com aqueles pontinhos pretos, porque a banana tem um baixo teor de FODMAP. Algumas frutas que tem muita frutose por exemplo, a maçã e a pera. Encontra-se bastante frutose no o mel também. Alimentos com maior teor de frutose precisam ser retirados da alimentação.

Dissacarídeos: Lactose, como leite, iogurte, queijos. Os pacientes precisam de uma dieta sem ingestão de lactose.

Oligossacarídeos: Leguminosas, traz muitas vezes bastante flatulência após o consumo, alimentos como feijão, soja, ervilhas, entre outros, mas o que acaba sendo a queixa mais comum é por feijão, por se um habito do brasileiro o consumo diário desse alimento. Aos que gostam de consumir feijão diariamente, você pode deixá-lo de molho por 8 horas antes do cozimento e jogar toda água fora, isso pode ajudar a reduzir a fermentação, pois os oligossacarídeos são altamente fermentáveis. Além das leguminosas é necessário a redução da cebola e do alho também, pois são alimentos que podem cooperar diretamente para esses desconfortos.

Polióis: Adoçante natural como o xilitol, encontra também no abacate e cogumelos.

A retirada desses alimentos geralmente vai de 4 a 6 semanas e após esse período o profissional observa se houve uma melhora, havendo melhora o próximo passo é a reintrodução, vale ressaltar que o processo de reintrodução é tão importante quanto o processo de retirada. A reintrodução é extremamente necessária, para que o paciente não tenha uma deficiência nutricional, devido a uma dieta muito restritiva.

Todos os passos da dieta precisam ser acompanhados por um nutricionista, para que ocorra as adaptações corretas.

Contraindicações da dieta: Pacientes com desnutrição e pacientes com transtornos alimentares. Nesses casos é necessário realizar tratamentos alternativos, além da dieta, a síndrome exige um tratamento voltado para a terapia cognitiva comportamental, que traz grandes resultados, existe alguns estudos que relatam sobre hipnose gastrointestinal com dados muito interessantes também, e os medicamentos podem ser trabalhados para melhor eficácia desse tratamento.

O principal objetivo da dieta é devolver a qualidade de vida a esses pacientes.

Por M.e. Isabela Loyola

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