Enfermagem

Por quê o mercado está pedindo profissionais Especialistas em Saúde Mental e Atenção Psicossocial

Você consegue definir Saúde Mental?
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Para a OMS não existe definição "oficial" de saúde mental, ou seja, diferenças culturais, julgamentos subjetivos, e teorias relacionadas concorrentes afetam o modo como a "saúde mental" é definida. O termo é usado para descrever o nível de qualidade de vida cognitiva ou emocional do indivíduo, pode incluir sua capacidade de apreciar a vida e procurar um equilíbrio entre as atividades e os esforços para atingir a resiliência psicológica.
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Mas o que é Saúde Mental?

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Entende-se que Saúde Mental é o equilíbrio emocional de uma pessoa, sua capacidade de administrar a própria vida e suas emoções. É saber lidar com as boas emoções e também com as desagradáveis: alegria/tristeza; coragem/medo; amor/ódio; serenidade/raiva; ciúmes; culpa; frustrações, sem perder o valor do real e do precioso e a noção de tempo e espaço. É buscar viver a vida na sua plenitude máxima, respeitando o legal e o outro, estando de bem consigo e com os demais. Aceitar as exigências da vida e reconhecer seus limites e buscar ajuda quando necessário.
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São critérios de saúde mental:

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- Atitudes positivas em relação a si próprio;
- Crescimento, desenvolvimento e autorrealização;
- Integração e resposta emocional;
- Autonomia e autodeterminação;
- Percepção apurada da realidade; e
- Domínio ambiental e competência social.
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O trabalho de equipes interdisciplinares nos Centros de Atenção Psicossocial (CAPS)
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Representado pelos Centros de Atenção Psicossocial (CAPS), o novo modelo de atenção em saúde mental está pautado no ideal da desinstitucionalização hospitalar e no fim da internação das pessoas que sofrem com transtorno mental e/ou dependência química. Desse modo, o CAPS se configura como um serviço aberto do Sistema Único de Saúde (SUS) que presta assistência aos portadores de transtornos mentais, oferecendo-lhes cuidados clínicos visando à reabilitação psicossocial (BRASIL, 2004).
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A primeira legislação que buscava regulamentar o funcionamento e a forma de financiamento dos CAPS data de 1991 e 1992 (portarias 189/91 e 224/92), contudo esse novo fazer em saúde mental começa a disseminar-se efetivamente por todos os estados e municípios brasileiros, somente a partir do respaldo legal que a reforma psiquiátrica encontrou na Lei Nacional nº 10 216/2001, a qual estabelece diretrizes acerca da redução dos leitos em hospitais psiquiátricos e a consolidação da uma rede substitutiva composta pelos CAPS, residências terapêuticas, pelo Programa de Saúde da Família e pelos hospitais gerais.
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Os diversos tipos de CAPS (I, II, III, Ad e o CAPSi) atendem a uma demanda bem diversificada e cheia de especificidades (BRASIL, 2004; Bernardi & Kanan, 2015). Em decorrência dessa característica exige um trabalho numa proposta interdisciplinar, onde seja possível a realização de um fazer integral, em que o homem seja compreendido como um ser biopsicossocial (Ramminger, 2005; Cirilo, 2006; Nardi & Ramminger, 2007).
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Apesar de ser um serviço que já possui mais de 30 anos, considerando que o primeiro CAPS foi criado em 1986 em São Paulo/SP (Ribeiro, 2004), é ainda um serviço novo em outras regiões do país, e sua implementação têm repercutido na atividade de trabalho dos profissionais que atuam nesse modelo de atenção à saúde, visto que exigências nunca antes solicitadas modificaram o saber-fazer desses trabalhadores, estimulando um novo fazer em saúde mental (Martinhago & Oliveira, 2012; Zgiet, 2013).
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Para dar conta das propostas desse MODELO os profissionais devem ter engendrado seus saberes/fazeres acumulados, bem como as normas coletivamente estabelecidas na profissão, enfrentado as exigências e variabilidades presentes nos CAPS. De tal modo, o cenário de trabalho atual se constitui como um desafio para esses profissionais da saúde (Zgiet, 2013).
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Diante dessa complexidade e das novas exigências desse serviço substitutivo em saúde mental, compreender a forma como se estabelece o trabalho das equipes interdisciplinares que compõem os CAPS se torna fundamental, dado que os mesmos vêm se consolidando como dispositivos eficazes na diminuição de internações e na substituição do modelo hospitalocêntrico, anteriormente vigente (BRASIL, 2004; 2012).
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O acolhimento dos usuários: do individual ao coletivo
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O processo de atendimento daqueles que acessam os CAPS enseja o acolhimento que envolve o acolher de forma adequada os usuários fazendo com que sejam tomados em consideração seus motivos de procura do serviço (BRASIL, 2015). De tal modo, o acolhimento pode ser definido como uma estratégia para a reorganização do serviço de saúde que garante o acesso universal, a resolutividade e o atendimento humanizado (Coimbra & Kantorski, 2005), se constituindo como uma proposta que estabelece relação qualificada entre trabalhador-usuário (Franco, Bueno & Merhy, 2007).
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Embora seja uma norma de trabalho que deve ser praticada em todos os CAPS, na atividade o acolhimento toma conformações diversas em face das nuances e demandas dos usuários e das especificidades de cada tipo de CAPS. Pela fala dos participantes, percebe-se que o acolhimento é uma atividade com caráter enigmático, uma prescrição re-significada na prática, no qual outros elementos e situações devem ser considerados, principalmente no que concerne ao estabelecimento do vínculo, como se verifica na fala da assistente social a seguir:
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Eu acho o acolhimento imprescindível. Eu já percebi que tem muitos usuários que vêm aqui só no acolhimento e não voltam mais. Ontem mesmo eu fui visitar um usuário (...) e ele disse que não gostou do profissional [que realizou o acolhimento]. A gente também não pode dizer que a culpa foi do profissional que fez o acolhimento, mas ele deixou bem claro que não veio mais porque não gostou do acolhimento, por causa da forma como a pessoa, de certa forma, o abordou no momento (Ass. Social).
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A contribuição de cada profissional no acolhimento é reconhecida quando o vínculo é constituído, ou seja, quando o usuário adere ao tratamento, frequenta todas as atividades propostas, toma as medicações recomendadas, etc. O não retorno do usuário demonstra que a atividade do acolhimento não foi bem conduzida ou as nuances do atendimento, o uso de si que cada profissional imprime em seu fazer, não foram bem entendidas pelo usuário.
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O trabalho desenvolvido nessas instituições não é um trabalho isolado, e quando se busca avaliar a efetividade e eficácia do trabalho desses profissionais é necessário também um olhar ao nível macro, que nesse caso comporta o apoio das famílias (nem sempre presentes) e o apoio da rede de cuidados em saúde mental.
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Além disso, uma vez que se entende que cada CAPS é carregado de especificidades uma vez que atendem diferentes tipos de demandas, o trabalho desenvolvido em cada modalidade de CAPS apresenta particularidades.
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Por fim, acredita-se que a dimensão coletiva do trabalho interdisciplinar potencializa a gestão da atividade, entretanto parece ser fundamental o fortalecimento dos coletivos de trabalho com espaços de deliberação grupal mais efetivo, seja formal ou informal. A constituição da ECRP mostra que as atividades são enigmáticas e que os profissionais aprenderam a cooperar no enfrentamento das situações de maior exigência e variáveis do trabalho. A dimensão coletiva do trabalho é, pois, elemento fundamental da atividade e da mobilização da subjetividade (individual e grupal), implicando um caminho para uma vida mais saudável frente a uma atividade tão desafiadora e com um papel social tão importante.
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Fonte:
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BEZERRA, Eduardo Breno Nascimento; SILVA, Edil Ferreira da; MAXIMO, Thaís Augusta Cunha de Oliveira  e  MELO, Jéssika Sonaly Vasconcelos Barbosa de. O trabalho de equipes interdisciplinares nos Centros de Atenção Psicossocial (CAPS). Estud. pesqui. psicol. [online]. 2018, vol.18, n.1 [citado  2019-06-25], pp. 169-188 . Disponível em: <http://pepsic.bvsalud.org/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1808-42812018000100010&lng=pt&nrm=iso>. ISSN 1808-4281.

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