Farmácia

A RESISTÊNCIA DE BACTÉRIAS A FÁRMACOS ANTIMICROBIANOS EM INFECÇÕES DE SÍTIO CIRÚRGICO (ISCs)

    As infecções de sítios cirúrgicos (ISCs) representam 24,0% das infecções hospitalares globais, ocupando a terceira posição entre todas as infecções em serviços de saúde, com números que compreendem 14,0% a 16,0% das infecções encontradas em pacientes hospitalizados. Estes tipos de infecções economicamente inviável para as instituições de saúde, repercutem no período prolongado da internação na unidade hospitalar, conferem resistência aos antimicrobianos utilizados como profiláticos e no pós-cirúrgico, aumentam a mortalidade de pacientes submetidos a estes procedimentos invasivos e acabam por interferir diretamente no surgimento de novos quadros infecciosos.

    Com a análise dos pacientes submetidos a procedimentos cirúrgicos com diagnóstico médico e laboratorial de infecção de sítio cirúrgico no Hospital de Urgência de Goiânia – HUGO, observou-se o perfil microbiológico das principais bactérias em infecções de feridas pós-cirúrgicas nos pacientes do HUGO, assim como os perfis de bactérias que conferem resistência aos antimicrobianos. 

    No total de 50 prontuários avaliados 22 (44%) pacientes se enquadravam na faixa etária de 18 a 30 anos, outros 22 (44%) de 31 a 60 anos e 6 (12%) acima de 60 anos. Dentre os prontuários analisados, 37 (74%) dos pacientes eram do sexo masculino e 13 (26%) do sexo feminino. De acordo com a literatura a faixa etária oscila de acordo com o perfil de cada instituição e também entre os diferentes setores dentro da mesma instituição. Por tratar-se de hospital de urgências a faixa etária de pacientes predominante é a de adultos jovens e do sexo masculino.

    As cirurgias mais comprometidas com ISCs foram as ortopédicas e as gastrointestinais. Os microrganismos mais frequentes em infecções de ferida pós-cirúrgica foram os do grupo das gram-negativas, sendo Pseudomonas aeruginosas e o Acinetobacter baumannii os mais comuns, e do grupo dos gram-positivos a espécie Staphylococus aureus. Houve predomínio do uso de antimicrobianos de amplo espectro do grupo beta lactâmicos da classe cefalosporinas (Ceftriaxona e Cefazolina) comuns das unidades hospitalares, seguido do Metronidazol.

    No levantamento estatístico foi observada a presença de bactérias altamente importantes no cenário de seleção de resistência frente aos fármacos antimicrobianos, como P. aeruginosa, A. baumannii, K. Pneumoniae, S. aureus incluindo o MRSA. Nossas análises mostram uma antibioticoterapia empírica de amplo espectro utilizada para o tratamento das ISCs. Em relação ao cenário favorável a seleção de bactérias multiresistentes aos antibióticos nos ambientes hospitalares e de maneira a respaldar a segurança aos pacientes submetidos à procedimentos cirúrgicos, é de extrema necessidade um programa de multiprofissionais de saúde para cobertura, monitoramento, controle, tratamento e erradicação de patógenos frente as ISCs. 

 
Revista Farmácia Clínica e Atenção Farmacêutica - Capítulo 13 Página 127 à 137

Alexsander Augusto da Silveira
Faculdade Estácio de Goiás – FESGO/Estação
Álvaro Paulo Silva Souza
Faculdade Estácio de Goiás – FESGO/Estação
Adibe Georges Khouri
Faculdade Estácio de Goiás – FESGO/Estação
Adeliane Castro da Costa
Faculdade Estácio de Goiás – FESGO/Estação
Sara Rosa de Souza Andrade
Faculdade Estácio de Goiás – FESGO/Estação
Ana Claudia Camargo Campos
ITH – Pós-Graduação, Goiânia/Goiás

MATRIZ - GOIÂNIA


Endereço: Rua 203 nº 344, Setor Leste Universitário. CEP: 74.603-060

">Ver no mapa

Ver outras unidades